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Associação Cultural e Social Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco

CAMISA VERDE e BRANCO

HISTÓRIA DO CAMISA VERDE BRANCO

IMORTAIS 

 

Dionísio Barbosa - Filho de escravos e um dos primeiros negros nascidos livres no Brasil, Dionísio veio para São Paulo trazendo o samba de bumbo rural. Morava na Barra Funda e perto do carnaval reuniu seus familiares e amigos, formando um grupo de aproximadamente 20 pessoas com calça brancas e camisa verde e branca, formava-se o Grupo da Barra Funda, que depois se tornou o Cordão Barra Funda.

 

Em virtude da camisa verde e branca recebeu o nome de Cordão Camisa Verde e Branco. Sofriam com constantes perseguições da sociedade, sendo rotulados como marginais e não como sambistas, chegando até a sofrer agressões físicas além das verbais. Em 1914 fez seu primeiro desfile, e em 1936, cansado das perseguições que sofria, decidiu que o cordão não sairia mais as ruas. Sr. Dionísio Barbosa continuou fazendo shows com seu grupo, porém o pioneiro do carnaval paulistano ficou até 1953 sem desfilar, voltando junto com o Sr. Inocêncio.

 

Dona Sinhá - Cacilda da Costa, dama do samba paulistano, viu nascer várias escolas de samba de São Paulo. Ainda menina frequentava as reuniões de samba em fundos de quintal, além de serenatas embaixo de janelas. Contou certa vez "éramos malvistos, diziam que o ambiente não prestava". Pioneira dos tempos de cordões Dona Sinha dizia que o samba de São Paulo havia se desenvolvido bem, porém achava que faltava apoio e divulgação. Vemos hoje que a sua impressão do carnaval ainda é realidade

 

Inocêncio -Em 1953, Inocêncio Tobias, o Mulata, cria um movimento para reorganizar o antigo grupo carnavalesco, criando no dia 4 de setembro o Cordão Mocidade Camisa Verde e Branco. Logo no seu primeiro ano desfilando como cordão, o Camisa Verde vence o desfile de cordões, com o enredo Quarto Centenário. O Camisa ainda seria campeão como cordão mais quatro vezes: 1968, 1969 e 1971, ano este em que os cordões já estavam em decadência com a popularização das escolas de samba. A partir de 1972 o Camisa segue o caminho natural, tornando-se escola de samba com o fim do desfile de cordões, chegando ao primeiro título em 1974.

 

Durante a época da Ditadura Militar, a escola tentou produzir um enredo sobre João Cândido, herói da Revolta da Chibata, porém esta proposta foi censurada pelos generais da época. Em 1980, Inocêncio Tobias, morre deixando a presidência do Camisa Verde nas mãos do seu filho Carlos Alberto Tobias, que dirige a escola apoiado pela Mulher Magali e sua mãe Cacilda Costa, a Dona Sinhá (esposa de Inocêncio Tobias).

 

Tobias - Carlos Alberto Tobias - Conhecido como comandante e por Tuba, destacou-se não só pela sua maneira de administrar o Camisa Verde, mas também por ser um sambista de raiz. Causava espanto aos visitantes menos avisados ao chegarem à quadra da escola e ver o presidente da agremiação empunhado um surdo, sem qualquer vestígio de autoridade ao lado dos demais integrantes da bateria.

 

Foi fundador da Liga independente das escolas de samba de São Paulo, além de ser responsável pelo surgimento de várias ruas de lazer em São Paulo. Faleceu em 15 de janeiro de 1990, nos obrigando a fazer um desfile triste, porém com garra de campeão em homenagem ao grande comandante Tobias. Para se ter idéia do visionário que era Tobias abaixo segue crônica escrita por ele em 1986. Valeu Comandante!

 

São Paulo precisa de carnaval (TEXTO DE 1986)

 

O carnaval em São Paulo é hoje uma realidade. Mais o que o carnaval, o samba. E isto foi conquistado à duras penas. Nada exprime melhor o que representa a luta dos primeiros sambistas paulistanos do que o depoimento de Dona Sinhá, que aos doze anos frequentou os primeiros "pagodes" na terra da garoa: "Éramos malvistos. Diziam que o ambiente não prestava".

 

Os tempos mudaram. O carnaval paulista, agora, gera turismo. Em outros tempos nem mesmo a população local permanecia na cidade durante os quatro dias de folia. Não havia, como agora, o interesse maciço de meios de comunicação na cobertura deste evento. O Rio de Janeiro, principal pólo de atração turística da festa de momo, recebe hoje, numa atitude inédita e exclusiva, a escola de samba campeã de São Paulo na sua apoteoso. Uma deferência que insinua a inequívoca evolução alcançada pelo carnaval local. Motivos suficientes para não se admitir, portanto, nenhuma espécie de retrocesso. O G.R. Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco vê, com desconfiança, declarações contrárias porque descabidas visitaram as páginas dos jornais recentemente.

 

Um português castiço, mas não incompreensível pelo povo que faz o samba de São Paulo, argumentou que a verba investida no carnaval da cidade deveria ser destinada a setores como, por exemplo, a educação. São Paulo precisa de escolas de ensino em todos os graus. E necessita, também, de escolas de samba. Não cabe polemizar a importância de uma e de outra.

 

A verdade é que, se aprendem nas salas de aulas os pontos cardeais e as datas dos acontecimentos históricos, as crianças conhecem na quadra de ensaios a face própria do seu país. São os valores mais íntimos: as tradições, as músicas, as lendas e os folguedos veiculados quase que de forma didática. Longe de ser um "antro de desocupados", as agremiações carnavalescas devem ser consideradas peças importantes na formação de grande parcela da juventude.

 

Não estão na rua, empunhando revólveres e canivetes, abandonadas ao sabor da própria sorte, os jovens que por um ano inteiro participaram da construção do sonho que o Camisa Verde e Branco traz hoje para a Avenida Tiradentes. Estas histórias se repetem. Indústria da alegria que somos, temos também cumprido um compromisso social. Esta é a ocasião de se solicitar que conceitos proferidos à revelia da reflexão sejam revistos.

 

Baqueta - A escola de samba pode ser comparada a um corpo humano? Sim, vejamos por que: a harmonia, o cérebro da escola de samba e quem organizam os "comandos" dentro da agremiação; ala de compositores, a alma que fomenta os sentimentos e impulsiona a garra dos componentes no canto e no samba, enquanto a bateria, Ah! A batucada é o coração, o "órgão" que pulsa forte e transvasa sentimentos. Seja em todos os cantos da quadra, seja no ecoar das ruas, seja da concentração à dispersão. Essa Furiosa sem precedentes já foi comandada por tantos magníficos e, também, é claro, por excelentes ritmistas. Entra geração, sai geração e a batucada não perde a cadência. Tipicamente paulistana e de primeira qualidade quem a dirigia é o Mestre Neno, ou melhor, diretor como ele mesmo se define. Diretor e amigo dos ritmistas, ele sabe tudo e um bocado a mais. Toca todos os instrumentos e prima pela sensibilidade. É cada breque, meu irmão, que só indo lá pra sentir. Telha puxa vida, quem nunca ouviu falar do homem?

 

Aos que não o conheceram que vá se informar com os privilegiados que o viram tocar. O cara... Tentaremos descrever por palavras, embora uma missão quase impossível, tal a grandiosidade, participação e colaboração dele para o samba paulistano. Sabem os predestinados que nasceram com o dom acima da média? Pois é, como seria bom se tivéssemos a capacidade de romper o infinito e buscar céu acima o "repenique do homem", é isso mesmo, o repenique do homem, porque de tanto talento que tinha desconfiamos que o mesmo o fosse desenvolvido para ele tocar, sendo levado consigo, afinal era enorme o amor e o carinho que tinha por esse instrumento.

 

Ao contrario de tantos que se criam para tocar repenique, Telha, o maior ritmista do naipe é puro ícone de suingueira, domínio e balanço. E o Alecrim? Esse herdou do pai o talento no toque do surdo, onde muitos só não o confundem ao Tuba apenas por serem de tipos biofísicos bem diferentes, mas no que tange a qualidade e o tratamento com o instrumento, ambos são por demais parecidos. Há tantos outros grandes valores que fazem dessa bateria um orgulho para a família verde e branco.

 

Poucas palavras! Muita pegada e ritmo sempre furioso. Essa é a nossa batucada. "A Barra Funda está em festa, a nossa batucada é boa à beça".

 

Divino - Nascido no interior de São Paulo, Lavínia, é filho de músico caipira e irmãos seresteiros. Aos quatro anos fazia café misturado com pinga para servir nas madrugadas aos irmãos e desde pequeno fazia batucadas nos pratos, sendo advertido diversas vezes por sua mãe. Não adiantou... Pegava as latas de manteiga com capinhas de alumínio e as guardava junto com o seu irmão Wilson (Zé da Véia) e, também bexigas estouradas. Da lata vazia tirava o fundo, recortando as arestas e esticando as bexigas de cima para baixo para formar os seus tambores dos quais tirava os sons. Daí para frente se dedicou ao samba, tocando todos os instrumentos dentro de uma batucada.

 

-"Sou batuqueiro e não ritmista! A diferença entre ambos está na capacidade de extrair o som dos instrumentos, porque o batuqueiro integra uma batucada e toca sem interrupções, extraindo de fato o som da peça, enquanto o ritmista integra a bateria, tocando com interrupções e, principalmente, fazendo o uso dos floreios e artifícios dentro da bateria para sustentar o padrão. Atualmente, uma bateria contém aproximadamente 300 ritmistas, mas nem todos executam os ritmos, portanto, a base da bateria é quem sustenta e dita o ritmo. É fundamental a qualidade ao invés de quantidade e afirmo-lhes que mesmo não sabendo tocar nem um instrumento, qualquer um, estando ao meu lado, em trinta minutos aprenderá. Por quê? Porque saber tocar nada mais é do que exercer mentalmente o ritmo, por conseguinte, trabalhar a coordenação motora. Todos os padrões e linhas de instrumentos - 17 necessários dentro de uma batucada somente serão executados se os dominarmos na mente. Assim, se você não é capaz de fazer o som com a boca, não o fará com o instrumento. Tornei-me sambista por excelência porque os meus irmãos foram os meus referenciais e o maior prêmio no samba é o reconhecimento dos meus batuqueiros. Iniciei em 1970, na bateria da Vila Matilde, mas desde a época dos desfiles no Anhangabaú, São João e Centro já apreciava o carnaval. Nesse período tocava malacacheta, atualmente, repenique. Na bateria da Vila Matilde fui dirigido pelo apitador pai de Albaninho, falecido dias antes do carnaval. Na ausência do apitador, cinco batuqueiros foram escolhidos para assumir o cargo. A escolha foi feita através de um teste (peneira). Perfilados lado a lado, os cincos batuqueiros começaram a tocar: o primeiro falhou, o segundo, o terceiro e o quarto também, restando apenas eu. Em menos de um mês freqüentando a escola, aproximadamente em vinte dias me tornei o diretor da batucada.

 

Minha primeira nota foi oito. Dali em diante foi sucesso total e emoções contagiantes e inesquecíveis. Embora tendo vivido diversas emoções, a maior emoção que vivi no samba foi no carnaval de 1983, ao assumir a bateria do Camisa Verde. Desde a concentração até a dispersão chorávamos porque eu olhava nos alambrados os batuqueiros e torcedores da Vila Matilde fazendo gestos de aclamação para que eu voltasse à Zona Leste. Foram inevitáveis as lágrimas nos olhos persistiam em cair por todo o percurso da Avenida Tiradentes, inesquecível! Entretanto, o começo do trabalho no Camisa Verde não foi fácil. Na época tínhamos facções dentro da batucada: a turma do Celsinho, a turma do Zé Carioca, a turma do Ivan, a turma do Nando, a turma do Saci, portanto, apenas na base da conversa e, principalmente mostrando na prática das mudanças necessárias, foi que consegui aplicar os novos padrões. Mudamos coisas simples como a altura e largura dos instrumentos, a afinação caixa e tarol combinando com o corte, atrelado à combinação ou com surdo e bumbo, bumbo com bumbo, surdo com surdo ou surdo com bumbo invertido cada um, resultando em uma afinação. Mas o padrão, obtivemos das caixas e taróis e no corte, assim, para um grave e agudo, um corte. Montamos uma linha de surdo para fazer a primeira e uma linha de bumbo para dar a resposta. No caso da primeira tudo bumbo, surdo é só corte e centralizador. Então temos: primeira e segunda que são de bumbos e surdos (terceira e centralizador), onde temos que ter surdo só na terceira, o corte, e na quarta que será o contra tempo - combinação. Atentamo-nos ao uso de agogôs, pois são quatro campanas: dó-ré-mi-fá, usando-os com moderação, porque dentro de uma batucada não apresenta tanta utilidade e efeito e, se não bem utilizado, no momento exato atrapalhará no andamento do conjunto no ritmo. Costumava tocar os instrumentos com os batuqueiros, individualmente, fazendo-os cantar porque o batuqueiro que canta não atravessa.

 

Dentro de uma batucada as linhas de instrumentos necessários são: primeira, segunda, terceira (corte) e quarta (centralizador), caixa e tarol, surdo de terceira - complemento da pesada, combinação com a caixa e o tarol, centralizador - contra tempo com a marcação de primeira, repeniques, tamborins, agogôs, chocalhos, ganzás, pandeiros, cuícas e pratos. Nesse período de Barra Funda, conheci o maior sambista de todos os tempos no Estado de São Paulo, Carlos Alberto Tobias que, tocava, versava e dançava como ninguém. Na batucada, Tobias conhecia todos os instrumentos, entretanto se destacava tocando surdo. Tive grandes momentos dentro do Camisa Verde e já presenciei cantores renomados como Zeca Pagodinho, Reinaldo, Boca Nervosa, Companhia Limitada... Pedindo à diretoria para cantarem sem remuneração na escola. Considero a escola uma pioneira e responsável pelo engrandecimento do carnaval, não somente do carnaval, mas do samba em geral. Deixei o Camisa porque, ao produzir um LP de samba enredo com Carlos Alberto Tobias, na publicação da obra, constatamos que todo o trabalho realizado por nós teve os méritos dado a outro produtor, um amigo do Tuba que não participou do trabalho, lesando a mim e ao próprio Tobias. E, como havia trabalhado, fui cobrar uma posição do presidente. Conclusão: entramos em atrito, e devido a esse fator deixei a bateria em 1989.

 

Não tenho mágoas em relação à escola, guardo apenas as grandes lembranças dos bons momentos que ali eu vivi. Critico sim, na atualidade, a falta de padrões dentro das batucadas, pois o que está predominando são os estilos, e a diferença está em que o padrão define o ritmo de cada instrumento, definindo a identidade do ritmo correto, enquanto o estilo é como a bateria toca, porém, sem uma definição padronizada dos instrumentos. Ou seja, floreados de tamborins e conversões que não são tocadas como em uma batucada. Numa batucada, os instrumentos são executados por longos tempos, ao contrário das baterias que não se firmam por mais de dez minutos tocados sem interrupções nos naipes de tamborins. Hoje, as escolas de samba têm 98% de foliões e 2% de sambistas, então, tudo está bom. O samba de SP não está atrasado se comparado aos outros estados, porque contamos com excelentes batuqueiros (não ritmistas), que tocam por horas e não somente vinte minutos. O grande problema nos dias de hoje é a falta de padrão, dificultando a distinção entre uma "batucada" e outra, confundindo bastante por serem muitos parecidos. Eu tenho seis padrões definidos na minha cabeça, mas além dos padrões existem outros fatores que determinam a qualidade de uma batucada, que são: uso excessivo de nylon e poliéster, não dando uma boa afinação; a montagem dos instrumentos - altura e largura, se os instrumentos são redondos, os mesmos devem ser batidos no centro, pois se fossem quadrados seriam batidos nas pontas; floreado de tamborins; afinação dos instrumentos, a combinação do padrão caixa e tarol; uso inadequado de agogôs e a falta de couro de bichos nos revestimentos dos instrumentos. O som extraído desses instrumentos são superiores aos revestidos com nylon e poliéster. Enfim, são as mudanças que se fazem necessárias aos ouvidos e gostos dos novos foliões.

 

No mundo do samba conheço diversos mestres de bateria, assim como diversos ritmistas. Contudo, os quatro grandes mestres (ou diretores) como eu prefiro que me definam são: Waldomiro da Mangueira que, durante trinta anos, manteve o padrão e mesmo com problemas físicos conseguiu segurar o ritmo; Mestre André, que também roeu o osso, implantando as paradinhas e definindo um padrão característico na batucada da Vila Vintém. Em São Paulo, Mestre Lagrila por tradição e Ricardão (Mestre Neno), o segundo pelo trabalho e conhecimento dentro de uma batucada.

 

Agradeço a oportunidade e deixo aqui registrado a seguinte frase: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. O tempo é o tempero da solução, nada como um dia após o outro.

 

Mestre Neno - Roberto Moreira Júnior começou desfilando como passista em 1970, aos seis anos, na escola de samba Unidos de Vila Maria. Em 1973, aos nove anos, ingressou na bateria mirim da escola de samba Mocidade Alegre, tocando surdo pequeno de segunda sob o comando de Mestre Lagrila. E mesmo tendo desfilado anteriormente, se interessou pelo samba ao sair como o primeiro garoto no carnaval paulistano a ingressar numa bateria. Tocava na bateria mirim, mas por obras do destino que não saberíamos explicar, já mostrava afinidades com o apito. Ocorreu na época um fato inusitado: Robertinho, então garotinho, mexeu em um dos armários na sala da bateria, pegando o apito mais apreciado pelo Mestre Lagrila que, ao saber do fato, irritado, suspendeu o garoto de ensaiar e de tocar em quaisquer instrumentos. Então, já apaixonado pelo ritmo, aos 12 anos, proibido de ensaiar na Mocidade, dirigiu-se à Barra Funda, o quartel general do samba, onde teve o privilégio de tocar com os melhores batuqueiros de São Paulo: Telha, Saci, Dadinho, Paulinho, Jamelão, Sarará, Gordinho, Tobias... As surpresas da vida não pararam por aí... Lagrila deixou a Mocidade Alegre, assumindo o comando da batucada verde e branco onde ambos se reencontraram novamente.

 

Músico por excelência, trabalhou com diversos artistas: Reinaldo, Bezerra da Silva e Branca de Neve. Na época, sua carreira de músico estava no auge e conciliar a carreira com a batucada não foi possível. Então, o amor pelo samba de quadra o tocou mais forte. Sábia a escolha, pois após a saída do Mestre Divino, período no qual já exercia a função de segundo diretor, lhe foi confiado o posto de primeiro diretor, em 1990. Conquistou o ápice dentro de uma batucada porque foi ritmista, tocou todos os instrumentos exceto a cuíca e, principalmente, porque têm um excelente relacionamento com os ritmistas da casa.

 

Ao assumir a bateria implantou as suas diretrizes, dando à mesma uma identidade própria. Convidou Otacílio Pereira, o Jamelão, para ser o segundo diretor e, ainda solicitou ao Laíla, diretor da Beija-Flor, na época, a desenvolver um novo esquema de armação da bateria. Após receber o projeto, utilizou somente 20% do mesmo, tendo o restante saído de suas próprias idéias. Para tanto, concentrou-se mais nos surdos e repeniques, fazendo uma distribuição mais nivelada entre as peças, por exemplo: 10 surdos de primeira, 10 surdos de segunda, 14 surdos de terceira, 72 caixas, 36 repeniques e 45 tamborins. No começo pensou que o resultado não daria bons frutos, mas na prática foi muito bom, porque houve uma afinação mais harmoniosa, que culminou em uma batucada mais leve. Como diretor gosta de trabalhar com jovens e crianças. Não se considera Mestre de bateria, pois segundo ele o Mestre é mais autoritário e às vezes distante de seus batuqueiros. Já o diretor é muito cúmplice dos mesmos, delegando funções dentro da batucada. -"A hierarquia é uma faca de dois gumes: alcançada a nota máxima, méritos ao time. Porém, se a mesma não é atingida de tudo, está sob a minha responsabilidade e por aturamos. Assim o trabalho é bem compacto e coletivo."

 

Prega como norma e conduta conversar com os seus batuqueiros dentro de um ônibus, num bar, em frente à sede, desde que, com naturalidade. Aceita conselhos de seus batuqueiros, buscando sempre inovar com ritmos ousados, advertindo-os que durante os ensaios eles estão sob a sua coordenação. Todavia, no desfile oficial é ele quem está nas mãos dos batuqueiros que, bem preparados, devido aos ensaios iniciados em meados de julho, garantirão a nota máxima no quesito. Há doze anos como diretor da bateria e vinte e cinco anos no ritmo do Camisa Verde, conquistou sucessivas notas máximas durante oito anos seguidos, não tendo conquistado a mesma em dois outros carnavais, devido aos seguintes problemas: um breque chocado com o Intérprete na retomada (-1); e a vestimenta de um dos ritmistas incompleta (-0,5). Em 2001, ao iniciar o desfile, a bateria teve problemas, mas a sensibilidade do diretor fez a diferença para assegurar a nota máxima.

 

Neno admira muito as baterias com padrões característicos, por isso, as baterias do Nenê e do Vai-Vai são as mais apreciadas por ele que explica: "Gosto de batucada da qual não é necessário ver a farda para saber a qual agremiação se refere. Penso que a batucada do Camisa, Nenê e Vai-Vai em Sampa executam com personalidade e maestria os ritmos delas. Há um agravante com o ritmo paulistano que, a partir da década de 90, devido ao grande intercâmbio de alguns Mestres, esses passaram a adaptar a batida carioca no ritmo de São Paulo. Eu, Roberto Moreira Júnior, respeito, pois também estou sujeito às críticas, mas falar mal do trabalho dos meus colegas ou copiar o ritmo carioca é uma atitude que me recuso a ter. Em algumas agremiações o problema não está no padrão desenvolvido, mas na formação das baterias que em alguns casos contam com um número excessivo de determinadas peças sobre outras. Em São Paulo há bons batuqueiros, bons padrões, personalidade e competência. Conheci um batuqueiro, Ronaldo Coelho, tocador de repeniques habilidoso que tinha a capacidade de tocar com uma baqueta no tamanho de uma caneta e, também, o maior naipe de surdo de todos os tempos e meu ídolo no samba, o sambista perfeito, Carlos Alberto Tobias. Ambos, particularmente, são insuperáveis, podendo surgir no futuro alguém que os superem, fato que, até o momento não aconteceu. Fenomenais!".

 

Ao longo dos anos aprendeu a admirar três nomes: Lagrila, com quem iniciou sua trajetória no samba; Divino a quem atribui os méritos do ensinamento de distinguir as batidas de caixas e taróis e o falecido Mestre Marçal. "Onde quer que ele esteja tirarei o chapéu, pois através desse grande sambista herdamos o título de (FURIOSA)". Marçal, carioca da gema, ao deparar com a nossa batucada dizia: "Lá vem à furiosa". Marçal apreciava muito o ritmo da Barra Funda. Muitas alegrias o samba lhe deu, sendo duas inesquecíveis: Mocidade Alegre, em 1974, com um desfile de tema afro, marcado em sua vida até os dias de hoje e o mais importante de todos, em 1990 - Combustível da Ilusão, ano em que assumiu a direção da bateria da escola. No ritmo, acha que nada mais poderá ser criado, pois as batidas das peças já estão pré-definidas. Diz que há melhorias a ser feitas como a junção das peças, inovação das conversões e passadas ousadas. Conta com a presença de seus dois filhos na batucada, Fernando e Felipe, mas adverte que ambos não são privilegiados e nem estão sendo preparados para o substituí-lo. "Se o meu filho for o meu sucessor muito me alegrará porque o Mestre André, um dos melhores no país não tem como substituto o filho dele, Andrezinho, Grupo Molejo? Então, seria uma honra".

 

Neno está imortalizado não só pela sua competência, que já seria o bastante para isso, mas acima de tudo porque é um verdadeiro sangue alvi-verde, ritmista e diretor fiel aos versos deixados por Talismã em nosso hino "Sou verde e branco até a morte! Do verde e branco não me separarei." Provado através dos quinze anos que foi diretor e mais dois posteriormente (2007 a 2009). O conceito dos batuqueiros em relação o diretor: "Mestre Neno é simples, parceiro, músico, diretor, enfim, o melhor".

 

Compositores - Glória aos nossos compositores, orgulho barra fundense e paulistano. Vamos falar agora da alma da escola. Daqueles que transformam uma simples idéia em poesia: os compositores. Não sem razão, o Camisa se orgulha de ser o nascedouro de verdadeiros "deuses" das obras populares em forma de samba enredo. Alguns já se foram. Outros defendem outras cores, mas todos se eternizaram. São seres de grande valor, que escrevem e melodiam peças que enchem de orgulho não só os barra fundenses, mas os sambistas paulistanos em geral. Cantemos o maior de todos: Narainã, a alvorada dos pássaros. Despertemos Rossini e Puccini em Do palco ao asfalto, o resumo da ópera. Exaltemos a nossa Biografia do Samba e tenhamos a consciência de que somos Negros Maravilhosos. Admiremos, ainda, o louco de Catas Altas a servir Almôndegas de Ouro. Relembremos Orlando que, repleto de glórias, se fez imortal. Bebemoremos todas e façamos o quatro sem cair, pois éramos tetracampeões, agora, penta. Quanta honraria! Orgulhosamente, conte-nos a vossa história, almirante negro, o dragão do mar. É, sabemos que diversos outros não foram citados. Quanta injustiça, não? E todos são especiais. Inesquecíveis. Imortais. Todos os frutos da ala de "Mumu", o gênio Talismã e Ideval "Metralha" Anselmo, o campeoníssimo do século.

 

Mas, sabemos que a ala de compositores é uma ala diferenciada porque ali há expressão dos sentimentos. E aqueles que, ao longo dos anos, são parceiros e lutam pela mesma bandeira, quando se aproximam as eliminatórias, se tornam oponentes. Uma oposição saudável porque todos querem ser condecorados como vencedor, não por interesses materiais. E, sim, pelo fato de constatar nos ensaios e no desfile oficial a sua obra cantada por milhares de pessoas. É Camisa... Por obra do destino ou por outros fatores que não saberíamos identificar, as qualidades dos nossos compositores fizeram-na uma das melhores no carnaval paulistano e capacitada a figurar entre as melhores no país, por que não? Os nossos poetas, renomados ou não, iluminados todos os são, porque gozam das irradiações de energias positivas, que se dispersam somente em "ares barra fudenses". Sempre haverá um ser poetizando as nossas madrugadas, o luar de prata, Barra Funda, a estação primeira... Sempre regado a muita cerveja, belas mulheres e rodeados de muitos amigos, todos movidos pelos belos versos, que ninguém melhor do que os nossos compositores verdes e brancos para descrevê-los aos nossos ouvidos.

 

Ideval - Nascido em Catanduva, no interior do Estado, Ideval Anselmo foi criado em Votuporanga e começou a brincar o carnaval nos bailes de salão. Aos 18 anos, veio viver em São Paulo e descobriu as escolas de samba. Diversas vezes se ouviu numa avenida paulistana um trabalho de Ideval Anselmo. Quando assistia aos desfiles de carnaval na Avenida São João, nos anos 60, o metalúrgico Ideval Anselmo achava que faltava algo no samba de São Paulo. Ele só soube dizer o que era em 1971, quando o prefeito Faria Lima convidou os sambistas cariocas da Acadêmicos do Salgueiro e da Estação Primeira de Mangueira para desfilar na cidade. "Foi aí, ouvindo a estrofe Ole lê Ola lá, Pega no Ganzê, Pega no Ganzá, do enredo Festa para um Rei Negro, que descobri o problema dos sambas paulistanos: a falta de refrão." O homem que tem o cetro de melhor compositor de todos em São Paulo (segundo o júri do jornal Folha de São Paulo), mesmo quando tem de levar às favas a modéstia, o faz com humildade".

 

Iniciou na escola através de um parente da esposa, entrou na ala de compositores do Camisa. Literatura de Cordel, a princípio, fez-se um mistério. Afinal, que diabo é esse Cordel? Depois, entendeu: "cordel" era "barbante", e isso, muito presente no Nordeste e no interior de São Paulo, ele conhecia. Talismã, o grande mestre, tinha o xodó de seu Inocêncio, e quebrar a resistência não seria fácil. E ele sabia disso. Tanto que não planejava vencer a disputa logo de cara, mas dali a quatro anos. Mas a vida não está aí para os nossos planos, e Ideval venceu a disputa. Ganharia também em 73 e 74. Em Atlântida e suas Chanchadas, ele e seus parceiros Zelão e Jordão, um carioca do Salgueiro, fizeram um samba que não passou pelo crivo da família. Resolveu, então, que o trocariam por outro. E o Camisa ganhava o seu terceiro título seguido. Narainã é o maior de todos para muitos e para o júri da Folha de São Paulo também. Para ele, não é mais do que um bom samba. Na prateleira, mesmo, está Almôndegas de Ouro.

 

Em 79, combinou com Zelão e Jordão que comporia o samba em casa. Toca que espera, toca que espera, e nada deles aparecerem. Na véspera do prazo-limite, eis que passa por um bar na Barra Funda e ouve: - Que samba o de vocês, hein? - Como assim? - Ora, o Zelão e o Jordão passaram por aqui e cantaram o samba. Tá bom prá caramba. E essa agora? Os dois compuseram à sua revelia. Não daria tempo de elaborar um samba naquela altura do campeonato. Fora o trabalho com o dilema a martelar a mente. Então decidiu: Ah! Dá tempo, sim! Não seria um revés desses que o faria ficar de fora da disputa. Pediu dispensa do trabalho, e lá foi ele correr atrás do tempo que, impiedoso, não cansava de avisar-lhe que se expiraria à noite. Um harmonia apareceu em casa para aumentar a aflição. Quando estava para terminar, a concentração fugiu-lhe ao controle. Correu ao boteco para tomar a inspiração que faltava.

 

A quadra fervia de compositores. Estava todo mundo lá. Só faltava o Ideval. Com o samba escrito num papel de pão, os concorrentes não perderam a chance de tirar uma onda. Não ligava. Qual não foi a surpresa dessa gente quando se viu suplantada por aquele fedelho, com um samba rústico e concebido de última hora. E iria mais longe: sagrar-se-ia campeão do carnaval. No total, Ideval sacramentou nove sambas na verde e branco. Além de Almôndegas, há outro favorito do mestre: Do Palco ao Asfalto, o Resumo da Ópera. Há muito afastado da Barra Funda, fora convidado a voltar a compor. O tempo fez dele um estrangeiro dentro da quadra. Não mais havia nenhum conhecido. Na elaboração do samba, um triunfo que guarda boa parte dessa afeição. O vulto do samba despertava do sono profundo os vultos do erudito, e os convocava a participar da epopéia chamada carnaval. O metalúrgico explica que para escrever um samba-enredo vencedor é preciso não sair do tema proposto pela escola, manter a criatividade e saber espalhar "maldades" na letra. Usada no bom sentido, a expressão refere-se a truques para resumir uma frase numa palavra ou definir termos de duplo sentido.

 

- "Antigamente, os sambas ficavam quilométricos e detalhavam muito mais o enredo. Depois, com a interferência da mídia e das gravadoras, tudo mudou". O compositor ressalta que as mudanças no samba-enredo vieram acompanhadas de alterações em todo o carnaval. "Hoje, a festa está muito profissional, luxuosa, voltada para o turista e para a imprensa", reclama. "O verdadeiro carnaval para mim é o do povo, aquele em que se pode extravasar o que fica reprimido ao longo dos 364 dias no ano".

 

Pois a noite é toda música, é só lirismo. Ideval andou ainda por Nenê, Tom Maior, Rosas de Ouro e Peruche. Por essa última, voltará à avenida. O andarilho do samba ainda tem muita poesia para soltar por essa estrada. O destino ainda há de colocar um trevo, de novo, em seu caminho. Sua inspiração motivou 21 apresentações de escolas do grupo especial e mais cerca de 50, dos grupos 1, 2 e 3 e blocos. Pelos trabalhos costuma ganhar apenas uma ajuda de custo. Algumas das composições se devem apenas a ele. Em outros casos, trabalhou com parcerias, a famosa parceria do" trio-metralha", composta por Ideval, Zelão e Miro. Mudar de agremiação, não representa problema, diz Ideval. "Não tenho preferência, pois gosto da luta comunitária de todas". "As pessoas mudam de escola, mas o samba perdura".

 

Talismã - Octávio da Silva nasceu no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, e foi por muitos anos integrante da Acadêmicos de Rocha Miranda. Trazido pelo nosso patriarca Inocêncio Tobias, em 1967, chegou à terra da garoa para construiu uma linda história na nossa escola, tornando-se uma lenda viva não só nas cores verde e branco, mas nas cores do samba paulistano. Talismã, o querido Mumu como também era conhecido, se destacava por ser talentoso: compositor por excelência, criador de enredos e artista plástico encantou, com belos versos, melodias e requintados trabalhos plásticos, a cidade de São Paulo. E, embora um gênio, gozava de outro talento que o tornava muito mais especial: a humildade, virtude que poucas pessoas, somente as iluminadas como Mumu, carregam consigo. Talismã era especial porque ajudava diversos sambistas que, mesmo competentes no desenvolvimento da construção das letras dos sambas, pecavam no desenvolvimento melódico.

 

Muitos compositores, especificamente os compositores da Verde e Branco, aprenderam e aprimoram os versos graças ao querido Mumu Entre eles podemos citar Airton Santa Maria, Neff Caldas, Luiz Carlos Freire. Talismã tinha sambas gravados pelos melhores cantores do país e diversos sambas compostos para a nossa verde e branco. Dentre os sambas, podemos destacar a Biografia do Samba, um samba que descreve perfeitamente a essência e a importância do samba na representação da vida de um sambista e, essa obra composta pelo gênio, é tida o hino do carnaval paulistano.

 

Em 12/05/74, através do Festival de Samba de Quadra, promovido pela Folha da Tarde, e apontado em discursos entusiasmados de membros do júri como um marco na história do samba paulistano, pois propunha disputar a supremacia do samba no Brasil, a promoção atraiu 400 compositores; foram selecionados 12 músicas que integraram um LP, sendo eleito, nessa oportunidade, como a melhor do festival, na sede da Sociedade Rosas de Ouro, a música Sou Verde e Branco, de autoria de Talismã e Jordão. Após o marco conquistado, Talismã presenteou com esse samba a comunidade Verde e Branco, que foi transformado em hino oficial da nossa entidade. Além do hino da verde e branco Sou Verde e Branco e do hino do carnaval paulistano A Biografia do Samba, Talismã compôs os seguintes sambas: Há um nome gravado na história - 13 de Maio, Festa das flores, Sonho Colorido de um Pintor, Literatura de Cordel e Negros Maravilhosos "Mutuo Mundo Kitoko". Além das inigualáveis poesias, Talismã desenvolvia alegorias e, em 1986, cerrou fileiras junto a Augusto Henrique na realização de Fantasia Sonho Sem Fim.

 

Ao caneta de ouro que encantou e encanta todos os sambista natos, radicados ou simplesmente amantes dos sambas oriundos da terra da garoa que, desmentido Vinicius de Moraes, para o qual a Capital paulista é "o túmulo do samba", a nossa pequena homenagem perante a sua grandeza e contribuição ao samba de São Paulo. Felizes, orgulhosos e certos estamos porque sabemos que os laços que unem os sambistas se farão presentes, enquanto as cordas de um violão ecoar em todas as notas o sentimento descrito e prescrito por ti nas linhas dos versos de tantos sambas com destaque especial ao nosso hino "Sou verde e branco, Até a morte!" Não importa onde estivermos, o sambista diz adeus; o samba até logo. É um ciclo que se encerra ano a ano, fortalecendo-se a cada estação para o delírio de toda a nação. Obrigado Talismã, o gênio caneta de ouro, caneta verde esmeralda.

 

Como forma de agradecimento, não somente a esses, mas a todos que são conscientes de terem cumprido com louvor o papel que lhes foi concedido e como exemplo para os novatos que hão de viver conosco, tornamos público, de forma resumida, um pouco de cada um; espelho que refletirá para nós muitos dos atos deles: Gugu, o "louco". Para ele, não bastava apenas desenvolver o enredo. Era preciso inovar. E tanto o fez que transformou o conceito de barracão e elevou o Camisa à condição de referência no cenário artístico e cenográfico do carnaval paulistano. Sempre sério na condução do trabalho era o compadre Zulu. Como era raro arrancar-lhe um sorriso! Mas tanta sisudez combinava com a sua missão: dar conta da harmonia, parte fundamental dentro de uma escola de samba. Maninho, o vice-presidente era o elo entre a presidência e os componentes, pois, muito ocupado, Tobias nem sempre tinha tempo para conversar diretamente com eles. Gavião, o operário dentre os demais não amolecia diante das responsabilidades. A disposição deste abnegado em favor das atividades da escola superava qualquer jovem. Tudo pela bandeira. Pelé, o amigo Pelezão como é conhecido, comandava os bailes no São Paulo Chic e outros eventos que reverteriam em renda para a escola; a ele, nossa sincera homenagem, pois continua conosco, faça chuva ou sol. Saiba Pelé, que a família te ama!

 

Gostaríamos de estender as nossas congratulações não só aos nomes acima citados, pois sabemos que tantos outros também poderiam figurar nas linhas desta pequena lembrança... O sambista pode e deve amar o pavilhão acima de qualquer um de nós. Este conceito, ano após ano, está sendo esquecido porque o elo entre o sambista e o samba não representa com fidelidade a essência do verdadeiro sambista: prosperidade e amor. Conservemos e consultemos sempre as memórias para que, a partir das dificuldades do passado, saibamos valorizar o presente, fortalecendo-nos no legado deixado pelos nossos ancestrais que tanto lutaram e sofreram em favor do samba. O coração em forma de trevo é a causa daquilo que somos hoje no carnaval paulistano. Se a história da nossa escola é aquilo que fazemos por ela, quem dera fazermos uma fração que seja das páginas de glória que os antigos escreveram.

 

Gavião - José Araldo Soares de Oliveira, Gavião, foi diretor de patrimônio no Camisa. Mas é difícil encontrar quem o conhecia por este nome. Entretanto, na Barra Funda, todos sabem quem era o amigo Gavião. Ele era, sem dúvida, um dos maiores responsáveis pelo sucesso de todos os eventos promovidos pela escola na época.

 

Incansável, Gavião coordenava todo o trabalho de preparação da Rua do Samba, do Botequim do Camisa, do Clube do Pagode e dos ensaios. Nascido em Pinheiros, aliou-se ao Camisa ainda pequeno, nos tempos de "Seu Inocêncio Tobias". Gavião merece todas as honras e lembranças da casa, afinal quantas pessoas não chegaram ali, em muitos momentos tristes, tímidas, sozinhas... Mas, ao começar o espetáculo e o samba dar o ar da graça, pronto! A alegria era contagiante e a tudo parecia amenizar, mesmo que fosse por minutos de diversão, somente ali. Todos nós sabemos que, para existir o rico, necessita-se um pobre, para podermos diferenciar e definir a posição sócio-econômica de cada um, bem como é preciso estender os aplausos a aqueles que, mesmo não estando acima do palco, também são os grandes artistas; os queridos artistas do povo, tantas vezes esquecidos e ignorados.

 

Hoje, Gavião, o sambista para toda obra, deve estar ao lado das demais estrelas verde e branco, certamente trabalhando por algum ideal. O sambista pode partir, deixando saudades em todos nós, entretanto o legado deixado por eles sempre estará vivo conosco em nossas memórias. A família verde e branco é agradecida por você ter dedicado tantos momentos da sua vida em favor do samba, samba esse apreciado não somente pela nação verde e branco, mas por todas as outras cores que representam e denominam o samba no Estado de São Paulo.

 

Gugu - Augusto Henrique Alves, artista por excelência, atuou na Guanabara como cenógrafo, figurinista, pintor, desenhista, escultor, publicista, teatrólogo e empresário. Carioca de Botafogo, estreou como carnavalesco no Império da Tijuca, quando desenvolveu o enredo "Rapsódia Brasileira". Elogiado pelos trabalhos realizados no Teatro Opinião e no cinema brasileiro, destacou-se, também, como decorador de carnaval dos clubes Sírio e Libanês e Botafogo F.R.

 

Apesar das muitas atividades, ele é, acima de tudo, grande amigo do samba. Já preparou desfiles do Cacique de Ramos, do Foliões de Botafogo, das escolas Unidos de Vila Isabel, São Clemente, Mocidade Independente de Padre Miguel e Mangueira. No carnaval de 1974, desenvolveu com seu talento o carnaval da Unidos de Viradouro, empregando toda a sua arte na criação e montagem de um desfile que, certamente, ficou na lembrança de todos. Muito dedicado e interessado em passar uma mensagem positiva aos foliões, derruba o mito de que o carnaval é apenas uma festa pagã. Pode sim, mesclar a alegria com informações culturais, pois ali é um momento em que os donos da festa são, geralmente, pessoas sem acesso a muitas informações e lazer no decorrer dos próximos dias do ano. Sempre alimentando veias famintas por informações viajou também à Espanha e Itália em busca de aprimorar os seus conhecimentos.

 

Quando ele resolveu colaborar com o carnaval paulistano, veio certo da ótima qualidade do nosso samba. Entretanto, sentiu que estava faltando um pouco de realce no bom trabalho dos sambistas. E chegou trazendo novidades, coloridos e muito brilho, para destacar ainda mais a beleza que naturalmente nossa gente possui. Pretendia, pode-se dizer, uma "delícia visual". Para isso trabalhou muito, ajudado por uma equipe da escola que aprendeu arte, e montou seu próprio desfile. Mas o que importava mesmo era um trabalho com resultados positivos - o que ele queria, assim como todos, era marcar época. Augusto Henrique, o "artesão do povo" como ele mesmo gosta de dizer, no Camisa é o nosso querido Gugu. Carioca, polivalente de olhos verdes que derretiam corações de moças, balzaquianas e senhoras, mesmo não sendo garoto tinha mais disposição que muitos jovens. Com uma característica fundamental na profissão que exerce: é pé quente, a mente genial que brilhou no carnaval de São Paulo através do Camisa Verde e Branco estava à frente dos demais, tanto que, Narainã, Alvorada dos Pássaros é, para muitos, se não a maioria, a grande parte dos antigos que tiveram o privilégio de assistir e deleitar-se das ousadias que marcaram época, o desfile de todos os tempos no carnaval paulistano, mitológico. O trabalho foi tão bem feito que, certamente, alguns até diriam ser coisas do destino, porque a estrela de Gugu, depois de brilhar por anos no carnaval carioca, reluziu em Sampa. Amanhecia a escola estava na concentração, quando os pássaros eram soltos das gaiolas bem próximas ao abre alas.

 

O carnaval de São Paulo mudou muito, e mudou para melhor, graças à colaboração de Gugu. A altura dos carros, o luxo, o uso de espelhos, a abolição do uso de alegorias de mãos foram frutos das obras que esse gênio dos barracões implantou na terra da garoa. Desenvolveu, também, os seguintes enredos: Almôndegas de Ouro - 1979, Acima de tudo mulher - 1980, Amor, sublime amor - 1981, Negros Maravilhosos "Mutuo Mundo Kitoko" - 1982, Verde que te quero verde - 1983, Os três encantos do rei - 1984 e Ginga Brasil Moreno, menino cor de canela 1985, além de desenvolver no barracão as alegorias e as fantasias dos carnavais de 1986, Fantasia Sonho Sem Fim, Barra Funda, Estação Primeira - 1987, Convite para amar - 1988 e Quem gasta tudo num dia no outro, assovia - 1989 , sempre com belos carros alegóricos, os mais belos já visto no carnaval do Estado. Inovou, na elaboração das alegorias - baseadas todas em organogramas e maquetes pré-estabelecidas, na originalidade de fantasias luxuosas e refinamento, na utilização de materiais rústicos como sisal e ráfia. Com a psicologia de um bom administrador, comandava os trabalhos no barracão delegando poderes a seus colaboradores e dividindo sempre com eles os méritos das fenomenais criações.

 

Os carnavais feitos por Augusto o tornaram imortal na verde e branco. Carnavalesco e muito mais amigo que profissional adotou a escola, melhor dizendo, a nação verde e branco no coração, sendo uma peça importante dentro da administração da escola ao lado do Presidente Carlos Alberto Tobias. As reuniões na escola só ocorriam na presença de Augusto, portanto, quando esse estava ausente pelo excesso de tarefas, como era de costume, as reuniões não eram realizadas. Mas, o presidente sabia das coisas porque os carnavais da escola, exatos, doze, desenvolvidos por Gugu, sempre reverteram em bons resultados. Até hoje nos emociona ao lembrar: a réplica perfeita do metrô (Barra Funda, estação primeira), as máscaras dos orixás (Os três encantos do rei), o Bar sobre rodas (Convite para amar)...

 

"Muitas vezes varávamos a noite sem dormir, mas ninguém se queixava, porque é sempre uma sensação incrível, no dia do desfile, você ver três mil pessoas apresentando aquilo que você criou. Todos dão o máximo de si para ver a Escola brilhar" Gugu, o nosso carnavalesco imortal, nós, diretores, componentes e simpatizantes somos admiradores do seu trabalho. Não varávamos noites como você e toda a sua equipe, mas de tão belo e encantador que era o trabalho, feito meses com amor e dedicação, saíamos da Barra Funda na certeza de que mais um belo desfile faríamos, como de fato, todos foram. Por que não, quem criou ser criado?

 

Pelezão - Francisco Carlos da Costa, nascido em 1945 e conhecido como Pelezão, sobrinho da saudosa Dona Sinhá, começou na Camisa Verde em 1973 no São Paulo Chic, comandando o bar a convite de seu primo de Tobias.

 

Ex-jogador de futebol profissional, meia habilidoso, jogou nos times da Andradina, Araçatuba, Ferroviária de Araraquara e encerrou a carreira no Nacional da capital, jogava também pelo time do Camisa Verde.

 

Trabalhou em vários setores da escola, e enquanto parte do quinteto ia para a rua resolver problemas relacionados à camisa, Pelezão era o responsável pela administração interna, compras, pagamentos, caixa, etc.

 

Desfilou pela primeira vez em 1974, tocando chocalho ficou até 1988 e depois foi convidado por Tobias para ingressar na diretoria, aonde permanece até hoje.

 

Seu carnaval inesquecível foi Narainã, se lembra da revoada dos pássaros, detalhe que marca vários integrantes da escola.

 

Pelé continuou a fazer a famosa bebida criada pelo Sabará "Diabo Verde", que foi matéria de programa de rádio, alegando que a bebida tinha drogas dentro por causa de seu alto poder alcoólico.

 

Na portaria do São Paulo Chic e na quadra da escola, pedido de Tobias e do Sr. Inocêncio, ficava como responsável para autorizar as pessoas que ensaiavam na bateria camisa a entrar sem pagar, sem abrir exceções como é de sua personalidade.

 

Tem saudades dos amigos, como seu primo Tobias, Sabará, Tia Zefa, Santinho, Sr. Inocêncio, Dona Sinhá, Leandro, Galhardo, Dija, Zezé, Verona, Vera, Dadá, Ellen, Sr. Zezinho, Gavião, Maurinho boêmio, Santinho, Tininha, Alzira, Cidão, Aninha, Cristina, Hélio Bagunça, Solange, Dona Odete e tantos outros que ajudaram a fazer a história dessa história. Pelé, obrigado por reforçar esse alicerce que é a Camisa Verde e Branco.

 

Antônio Pereira da Silva Neto - Zulu, nasceu em 17/10/1948 na Bela Vista. Oriundo da Barra Funda, iniciou-se aos dez anos, freqüentando os ensaios sem desfilar. Chegou ao Camisa em 1962. Saudosista, recorda de Seu Inocêncio. Muito sério e profissional, Seu Inocêncio influenciou, positivamente, na sua formação e, embora já tivesse a própria personalidade absorveu muito dos ensinamentos dele, um entrosamento perfeito. A Dona Sinhá, considerada como mãe de todos, aconselhava e se fazia presente em todos os momentos, cuidando para que ninguém desgarrasse e pegasse um mau caminho. Construía-se a quadra e a comida era feita por ela, porque as sextas-feiras se prolongavam. Ensaiavam às escondidas da família: saíam da Conselheiro Brotero, subiam a Rua João de Barros, entravam na Camaragibe, Lopes Chaves e, às vezes, faziam um ensaio na Mário de Andrade e, em outros, desciam direto a Conselheiro Brotero parando em frente à Votorantim, onde fica o Alárico (a fábrica da Firestone), depósito de pneu que, sem muro na época, servia como local de ensaio. Assim, após estar entrosado aos ensaios o primeiro desfile ocorreu da seguinte maneira: Seu Inocêncio e o compadre Tobias o levaram ao barracão e disseram ao Talismã: "Mumu, ele está querendo aprender". Então começou trabalhando no barracão, pregando ripinhas, varrendo e servindo água para o pessoal... A primeira participação dentro do samba foi empurrando alegorias, onde desfilou sem a roupa da escola porque não teria como explicar em casa.

 

"Acompanhei as transformações, como a mudança para a categoria de escola de samba. Na época respeitava muito aos mais velhos, e como era moleque e estava chegando, respeitava muito o Pilão, o Papudinho, o Pato N'Água... era esse pessoal que colocava ordem na batucada e a Dona Sinhá, o Seu Inocêncio, a Cida (irmã de Tobias), os coordenadores da escola, pois Tobias também era molecão e fazia parte da turminha com o Dadinho, Piúca, Bifinha... Na hora em que o cordão se preparava para desfilar sabiam se comportar e não vacilavam. Pegavam pesado e depois de encerrado o desfile tudo era alegria. Mas chegou um tempo que São Paulo não comportava apenas os quatro cordões: Camisa, Vai-Vai, Fio de Ouro e Paulistano da Glória, o outrora Campos Elíseos e Coração de Grós. Resumindo: Fio de Ouro, Campos Elíseos e Paulistanos da Glória pararam e restou o Vai-Vai e o Camisa e, portanto, perdeu a graça. Em ascensão estavam as escolas de samba Lavapés, Unidos do Peruche, Nenê de Vila Matilde, Acadêmicos do Tatuapé, Unidos de Vila Maria e, surgindo com uma força tremenda, a Mocidade Alegre. Foi inevitável a transformação para a categoria de escola de samba. Entretanto, o Camisa já vinha se adaptando para essa transformação. Seu Inocêncio tinha uma visão tremenda, então ele foi ao Rio de Janeiro e trouxe o Seu Delegado da Mangueira como harmonia e não como mestre-sala."

 

Delegado era excelente em ambos os cargos e, como não havia um mestre-sala, ele acabou exercendo essa função, aproveitando a escola e ele também, porque o Sr. Delegado foi um dos seus professores. A evolução na categoria de escola de samba foi muito rápida tanto que, entre 1974 e 1977, foram tetracampeões. Em 1979, foram campeões novamente e, em 1980, perderam para a Mocidade Alegre e sofreram um duro golpe: a morte do Seu Inocêncio que, antes de falecer, o nomeara Pres. da Harmonia. No primeiro ano sem a presença de Seu Inocêncio conquistaram o terceiro lugar e durante toda a sua passagem na escola nunca ficou abaixo dessa colocação. Em 1982, por opção própria, resolveu se afastar um pouco e, em 1983, trabalhou bastante pela escola sem desfilar. Retornou em 1984 e largou a farda somente em 1995. No início não contaram com o entendimento e o apoio das pessoas que trabalhavam com o Seu Inocêncio porque não conquistaram títulos, porém, revolucionaram o carnaval paulistano. "Falar de Tobias é difícil, mas a pessoa Tobias... muito alegre e espontâneo, com um coração enorme que não cabia no peito tamanho negrão, cheio de defeitos iguais a todos nós, porém as virtudes superavam outros quaisquer". No exercício da função sempre esteve cercado por milhares de pessoas e teve bom desempenho porque observava com admiração o trabalho de Sebastião do Amaral (Pé Rachado). O Camisa desfilava e ele corria para ver o trabalho do Pé, dizendo a si mesmo que um dia faria um trabalho igual. Depois de transformada em escola de samba e mesmo tendo pessoas respeitadas na casa, o Sr Delegado da Mangueira atuou no Camisa e numa das fases do seu aprendizado morou por seis meses na casa dele, onde teve a honra e a felicidade de conhecer e aprender muito com o Xangô da Mangueira, o Fuleiro, o Calça Larga do Salgueiro, o Jaburu da Portela. Seu desfile inesquecível foi em 1987, Barra Funda, Estação Primeira.

 

- "Lembrem-se: cada vez que a escola sair do portão, rumo à avenida estaremos indo a uma guerra saudável para fazer a alegria de muitas pessoas. Amem ao próximo, amem ao pavilhão como a bandeira nacional. Respeitem aos mais velhos, e que esses possam passar bons ensinamentos aos novatos. Façamos para que essa escola perdure por anos como a mais querida em São Paulo. O Camisa me proporcionou muito e onde quer que eu esteja sempre vou representá-la bem".

 

Pela alta função que desempenham dentro de uma escola de samba a elevada honra de conduzir e apresentar o Pavilhão Oficial com avidez, fidalguia e distinção, a Porta-Bandeira e o Mestre-Sala simbolizam a realeza e representam a nobreza do samba. E, pela alta dignidade que ostentam, merecem toda a admiração e respeito, bem como o reconhecimento ou confirmação de sua fidalguia, através de títulos de honra ou de outras honrarias.

 

No Rio de Janeiro, sobressaíram grandes Mestres-Sala e Porta-Bandeiras, que se consagram pelas suas eméritas qualidades no desempenho de importantes missões e foram dignos de pomposos títulos, reconhecidos até a época atual: Delegado, O Príncipe, coroado posteriormente, O Rei dos Mestres-Sala do Brasil (Mangueira); Noel Canelinha, O Dândi Imperial (Império Serrano); Benicio, O Conde (Portela) e outros, além da majestosa Wilma, A Rainha das Porta-Bandeiras do Brasil (Portela).

 

No mundo do samba santista perdura uma decantada dinastia de Mestres-Sala e Porta-Bandeiras, consagrados ao longo do tempo, através de uma linhagem de nobreza: Roberto, O Nobre, Nanhum, O Magnífico e Jadir, O Príncipe (X-9): Décio, O Cisne Negro (Império do Samba); Chocolate, O Conde Paladino (Brasil) e Beto, O Magistral (X-9). E dentre as Porta-Bandeiras: Cida, A Soberana (X-9); Nalu, A Imperatriz (Império do Samba); Irene, A Venturosa (X-9), Brasil e outras; Lídia, A Majestosa (Império Brasil e União Imperial); Vera, A Divina e Valéria, A Graciosa (X-9).

 

Assim é que, considerando as inúmeras virtudes e os notáveis méritos, bem como a fidalguia, distinção, qualidade, devotamento e lealdade a sua bandeira, o GRESM "Camisa Verde e Branco" tem a primazia de ofertar o distinto casal "Gabi e Vivi", com o título honorífico (ad honores) de "OS SOBERANOS" em 2001. Soberano (supremo), aquele que atinge o mais alto grau.

 

TIO MÁRIO - Vindo dos Campos Elíseos após a extinção desse cordão, Mário Ezequiel, o nosso querido Tio Mário passou a ser Camisa Verde e junto com os saudosos Sr. Inocêncio, Dona Sinhá e Tobias conhece grande parte da história do Camisa Verde.

 

"O Camisa Verde é como a minha família, pois aqui eu me consagrei e jamais deixarei essa bandeira! Inocêncio era um batalhador e talvez muitas pessoas não o conheçam, nem tampouco, saibam de fatos ocorridos durante aquele período difícil, onde o samba e o negro eram marginalizados. Mas eu andava muito com ele nessa época, na qual ele trabalhava em uma oficina de geladeira e desfilávamos de tênis e cetim. Inocêncio foi a mola propulsora que sustentou, dando base ao filho Tobias que, depois do pai, se tornaria o segundo maior sambista no Estado de São Paulo. A base toda da escola está estruturada no suor e no sangue de Inocêncio, que não poupava esforços, vendendo em determinada época os móveis da própria casa dele na finalidade de transformar o Camisa numa potência, como de fato a escola se tornou. Ao seu lado, contava com a companheira Cacilda Costa, Dona Sinhá, uma baluarte do samba porque o Inocêncio estava cuidando de uma determinada área, enquanto ela cuidava de outra. Não era um desencontro, mas um encontro de pensamentos e atitudes, porque ambos estavam sempre participando de todas as atividades da entidade. O cordão era muito gostoso e os desfiles também.

 

Como somos uma família, e em qualquer família há divergências, havendo algum descontentamento dialogávamos, mas o respeito sempre prevalecia. O tratamento era muito particular até mesmo porque não contávamos com tantas pessoas e, na grande maioria, quem participava dos ensaios e dos desfiles também era oriunda do próprio bairro. Anos depois, década de setenta, ocorreram grandes transformações e com o crescimento do carnaval, com o aumento de componentes e a transformação de bairro residencial em área comercial, a Barra Funda, o nosso quartel general do samba teve que se adequar às mudanças exigidas por novos tempos. Então, o cordão deixou de existir por falta de outros concorrentes e nos tornamos escola de samba e o número de componentes aumentou muito. Contudo, o nosso amor pela escola nunca se modificou, tanto que, a pedido de Inocêncio Tobias, colaboramos com a construção da sede. Em 1980 perdemos o nosso notável amigo e em curto espaço de tempo mais dois sambistas de expressão: Dona Sinhá e o filho Tobias, deixando uma história para todos nós. A morte é um pretexto que a vida encarrega de dizer, mas ninguém será tão notável quanto eles.

 

A nossa escola sempre foi madeira de lei, porque sempre que tivemos maus momentos nós soubemos nos superar. Tobias faleceu um mês antes do carnaval e sob forte emoção desfilamos com garra, trazendo mais um título para a nossa galeria. E, em 1996, com um desfile atípico fomos rebaixados, mas o rebaixamento, o cair para subir, podemos entender como um alerta. "Ser Camisa Verde... não é brincadeira! É tradição, é qualidade. E, quem é Camisa Verde, nunca mudará". Houve épocas em que várias pessoas deixaram de sair na escola, e como sou muito mais participativo fora da direção, conversava com essas, perguntando-lhes os motivos pelos quais se afastaram da entidade. "É Tio Mário, não dá mais para a gente". Eu digo não! Não vamos pensar em quem está lá e quem não está. Nós vamos lá, nós somos Camisa Verde. "A nossa bandeira vai rir". Tio Mário ainda freqüenta e desfila no Camisa Verde.

 

LUZIA RIBEIRO DE CASTRO - A Tia Luzia, começou a desfilar em 1966, por causa de seu filho Marco Antonio, que vendo o cordão passar a puxou para dentro do desfile.

 

Moradora da Barra Funda desde que chegou em São Paulo, Tia luzia comandava a ala Transa Negra quando convidada pela Dona Sinhá para assumir ala das crianças, batizada depois de "Eu Show Criança". Após anos a frente da criançada, reassumiu a ala Transa Negra, que foi mantida até 2003. Com sua personalidade forte, sempre discuti com todos até hoje, de forma até engraçada, mas sempre dava um sorriso após as discussões, sem guardar mágoas nem levar adiante. Foi agraciada com o título de Embaixatriz do Samba de São Paulo, e desfila conosco até hoje.

 

CIDÃO - Aparecido de Souza iniciou sua história na nossa escola quando o Sr. Inocêncio Tobias o convidou para desfilar na Harmonia, o levando para o Rio de Janeiro para se aperfeiçoar com o Delegado da Mangueira, assumindo a presidência da harmonia posteriormente.

 

Assimilou conhecimentos e foi uma referência para vários componentes da harmonia e da nossa escola. Foi jurado em carnavais do interior e do litoral de São Paulo. Em 1999, se afastou da escola em virtude de divergências com a presidência, em 2003 retornou a convite da presidente desfilando pela diretoria e em 2004 foi convidado para ser o presidente de honra da harmonia, pelos serviços prestados a todos seus alunos. Foi seu último desfile, em 2005 nos deixou, mas ainda o vemos na quadra, coçando sua cabeça quando nervoso. Após os ensaios sentava nas barracas, pedia cerveja e levantava sua calça até os joelhos e calmamente explicava aos seus harmonias o que deveria ser mudado, enquanto mexia nas pernas e coçava seus joelhos.

 

MANÉZINHO - Começou como simpatizante da entidade nas épocas de cordão, assumiu o pavilhão de enredo convidado pelo Delegado da Mangueira, no segundo ano já desfilou com o primeiro pavilhão. Ensaiou e formou vários mestres-salas em São Paulo, com sua dança cativante e envolvente. Hoje, embaixador do samba, ministra cursos e palestras no estado de São Paulo

 

DELEGADO - Laurindo da Silva chegou ao Camisa Verde convidado pelo Sr Inocêncio, foi Diretor de Harmonia e Mestre-Sala.

 

Dançarino. Passista. Músico. Nasceu no Morro de Santo Antônio, uma das favelas do complexo da Mangueira. Os pais foram dançarinos de gafieira no Rio de Janeiro. Mestre-Sala da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, aos cinco anos de idade já imitava os passos de seu ídolo na época, o mestre-sala Jorge Rasgado. No ano de 2005, integrando a Velha-Guarda da Mangueira, apresenta-se regularmente com o grupo e ainda é trabalha como o principal instrutor do projeto "Mangueira do Amanhã", no qual atua na formação de mestres-sala e porta-bandeiras.

Fez parte do Bloco Carnavalesco Unidos da Mangueira, que mais tarde, junto a outros blocos do morro, veio a formar a escola de samba Mangueira. Na escola fez parte da bateria tocando surdo e mais tarde chegou a diretor de harmonia e de bateria.

 

MÃE CLEUSA - Aos treze anos foi dançar com pessoas importantes na época: Solano Trindade, Batucajés e Bene, começando a aprender primeiro sobre o folclore do Brasil porque Solano Trindade tinha uma fundação no Embú, onde se aprendia a dançar para fazer shows em SP e em todo o país e, depois do Bene, começou a trabalhar com os grupos de samba que faziam shows.

 

Foi agraciada com o título de Embaixatriz do Samba de São Paulo, e desfila conosco até hoje.

 

" Na época o forte era São Paulo, mas viajávamos muito, tanto que trabalhei com o Quinteto Pagão e Acadêmicos da Paulicéia, embora o primeiro em sua formação original composta por três integrantes; Trio Pagão. Em seguida fui fazer shows no Vila e no Bear Halley até que cheguei às escolas de samba. Primeira foi o Paulistano da Glória, embora já tivesse conhecimentos do Vai-Vai através do Paulo Valentim. Fui para uma festa no Paulistano, no batismo do cordão, onde fora pensado em tudo para a realização do evento, menos na porta-bandeira. Eu e o Ted, que era do Vai-Vai, na ausência de um casal de mestre-sala e a porta-bandeira, formamos o casal e fomos batizados pela querida Dona Sinhá e a Xina, porta-bandeira do Vai-Vai na oportunidade. Fiquei no Paulistano como relações públicas organizando as festas e como rainha de bateria, posto que, a partir daí, foi que surgiu a história com o Pérola Negra. Certa vez, em um baile no Paulistano da Glória, que existia para os universitários às sextas-feiras, foi decidido fundar o Pérola Negra.

 

O Geraldo Filme, que era diretor do Paulistano, me levou para o Pérola no objetivo de colaborar na montagem da escola, portanto, considero ser também uma das fundadoras, tanto que no pavilhão da escola há a representação da minha imagem. É a maior honra em minha vida, representar uma escola de samba através do seu símbolo maior, o pavilhão. Uma história viva e atuante! Cheguei ao Camisa, mesmo sendo Camisa há anos, em 1974, porque antes não mantinha uma relação por falta de oportunidades e, sob o comando do Mestre Lagrila, após o encerramento do Paulistano da Glória, ingressei na corte verde e Branco e permaneci até 1990, como rainha sem ser necessário o uso de faixas para designar a minha função na entidade. Sempre me dediquei e me comportei com muito carinho e respeito. Em meio a tudo isso fazia o meu trabalho de passista no Super Som Tear e voltei ao Bear Halley como coordenadora e produtora de shows. No Peruche exerci o mesmo trabalho, após segui para o Anhembi como coordenadora das meninas que concorrem ao cargo de rainhas e princesas do carnaval paulistano. Cargo esse ocupado até os dias de hoje.

 

Na época do cordão a rivalidade entre Camisa e Vai-Vai era bastante forte, pois o Seu Inocêncio e o Hélio Bagunça saíram da Barra Funda com destino a Bela Vista e "roubaram" duas figuras importantes de lá, principalmente, a Dona Sinhá. Importante é que o samba vence todas as barreiras e as pessoas estão se reciclando. Muitos novatos querem aprender a realidade do samba raiz e cabe aos alicerces do samba, aos mais antigos ensinar, desde que haja interesse dos novos em quererem aprender. E devido a esses valores estou com um projeto de resgate do samba Paulista e suas raízes, batizado "Projeto Raiz". Tantos nomes figurativos no samba Hélio Bagunça, Seu Nenê, Carlão do Peruche... Precisamos aproveitar as histórias e experiências porque Seu Inocêncio, Geraldo Filme, Pato N'água, deixaram um legado muito rico, mas infelizmente já se foram, agora eles são luz.

 

São Paulo não pode e nem deve continuar sendo à sombra do Rio de Janeiro, porque cada lugar tem os seus valores próprios, por exemplo: uma passista não tem apenas a função de se vestir em trajes minúsculos e ficar rebolando a frente de uma bateria e, para piorar, são chamadas pejorativamente de "mulatas". A passista é dançarina, bailarina e pode ser um cartão postal da entidade se tiver postura e discernimento, porque ela faz parte da cultura do samba, samba-de-roda... Não podemos banalizar a função dessas beldades, cabendo a elas apoiar-se no fundamento e importância dentro da estrutura organizacional do espetáculo, afinal todo pavilhão almeja o respeito. Os grandes passistas de São Paulo, dentre tantos outros: Hélio Bagunça, Feijoada, Torrada, Oswaldinho da Cuíca, Toniquinho Batuqueiro, que além de serem grandes passistas, sambistas, cidadãos samba, são embaixadores, exemplos de dignidade no samba e fonte de ensinamentos. Não representam apenas as escolas de samba de cada um, mas o samba de São Paulo. Hoje, Seu Carlão, Armandinho, Geraldinho... são pessoas que, embora, valorosas, caíram no esquecimento e abandono. E as passistas femininas como a Jussara; Guga, a rainha do povo e passista do milênio titulada e aclamada por todas as escolas de samba e presença obrigatória em todos os desfiles de todas as escolas de samba, ainda que, de coração verde e branco; as gêmeas Lúcia e Cristina, hoje morando na Europa porque não foram reconhecidas; Sueli Farias, uma grande incentivadora que mesmo não sendo uma grande passista foi fundadora do Dengo das Mulatas junto com a Graça, a Guta e as Mulatas de Bronze. Todas, realmente, dançarinas que não faziam modelinho, dançavam horas e horas.

 

O quitandinha onde eram preparados os grandes passistas: Leda, Almeirinda, Maria Alice que junto comigo integrava o grupo do Hélio Bagunça, Chic Samba Show, no qual o Hélio inovou nos colocando a exercer todas as funções, não só dançar, mas tocar os instrumentos, de cantar e de embelezar os grupos. Atualmente, a Giseli e o Criolé são os grandes nomes, por quê? Porque a Gisele vai procurar a história, vai alimentar a si mesma de conhecimentos e faz da vida dela o samba um ofício. Hoje é a melhor ou uma das melhores em São Paulo. Na Leandro de Itaquera temos a passista de ouro com apenas quinze anos, mas vejam o que essa garota faz; na Mocidade Alegre nós temos a The Best, uma passista nata, não só uma "mulatinha".

 

O samba é rico, por isso, o projeto Renovação das Raízes Autênticas do Samba Paulista é dedicado ao imortal Geraldo Filme. Estou certa que ele está feliz. Geraldo sempre ensinou que devemos propagar a história do samba raiz, na finalidade de não ser descaracterizado. Um nome que ficará, ou melhor, está gravado na história dos anais do carnaval paulistano. A nossa raiz vem do samba de Pirapora, Vale do Paraíba, Tatuí, interiores e baixada santista e, portanto, se as pessoas procurarem saber das raízes do samba paulistano, essas nunca mais farão comparações com o samba carioca ou do nordeste. É necessário amar os pavilhões, querer aprender, pesquisar e principalmente, ter humildade para aprender.

 

O carnaval virou um grande marco, cresceu e se profissionalizou. Algumas pessoas não vivem mais de amor pela escola, infelizmente. Raras são essas pessoas, por outro lado, as escolas procuram por profissionais e esses, são bem pagos. É tanta maravilha que o samba me proporcionou que me sinto uma privilegiada. Dona Sinhá, minha madrinha que virou luz, era mulher de fibra, de resolver os problemas e conduzir a todos nós. Brigava na hora certa, mas sempre se fazia presente, dando-nos muito carinho nos momentos necessários. Seu Inocêncio que puxava as nossas orelhas para tomarmos um rumo certo e em qualquer atitude diferente ambos sempre estavam atentos.

 

Atentos à comunidade, luzes que se fazem presentes até hoje no Camisa Verde. Tobias era paizão, amigo, companheiro que puxava as orelhas como o pai; na época, em dia de carnaval, ele ficava na pista fiscalizando a gente. Ele e o Hélio Bagunça cruzavam os braços, balançando a cabeça, apontava os dedinhos e dizia: "Daqui a pouco a sua escola está lá atrás e eu quero só ver se você não vai estar presente". Eu, a Guga e a Sueli fazíamos shows em todas as escolas, mas não importava o tempo que estávamos na pista sambando, porque ele tinha certeza que na hora da Barra Funda nós estaríamos lá. O sorriso dele era inconfundível e o amor, o respeito e o carinho conosco e com o nosso pavilhão incomparável. Segundo as palavras da Presidente Magali dos Santos: "- Cleusa, você é o cartão de visita da Barra Funda". Todos sabem que eu executo trabalhos em todas as escolas, assim como que o meu coração é verde e branco. Sempre que se cantar o samba "Sou Verde e Branco, até a morte!" eu sempre hei de me identificar.

 

O meu desfile inesquecível, o que choro ao recordar, é Negros Maravilhosos, síntese do samba, da raiz, do enredo, da cultura e da cidadania e Boa Noite São Paulo, nesse os compositores conseguiram dizer tudo o que é a noite a nossa paulicéia desvairada. Um samba cantado em todas as escolas de samba, um convite da Barra Funda para amar, curtir a nossa cidade e o nosso carnaval. Hoje é Embaixatriz do samba.

 

HÉLIO BAGUNÇA - Falecido em 2007, aos setenta e um anos, um dos grandes baluartes do samba paulistano, Hélio Romão de Paula, ou simplesmente Hélio Bagunça. Hélio participou em 1953, ao lado do grande Inocêncio Tobias, do reagrupamento do antigo Grupo Carnavalesco Barra Funda que acabou dando origem ao Cordão Carnavalesco Mocidade Camisa Verde e Branco, da qual foi o primeiro diretor de harmonia (de São Paulo). Compositor, ritmista, bailarino do samba, é ainda referência do samba em São Paulo. Participou da formação do salão São Paulo Chic, na Barra Funda, foi fundador da nossa afilhada a G.R.E.S. Tom Maior em 1973 e foi Cidadão Samba da Cidade de São Paulo na década de 90. Figura presente em muitas rodas de samba da cidade adorava cantar samba e contar suas histórias, muitos aprenderam muito com esse mestre. Brilhará sempre na constelação das estrelas mais cintilantes do samba de São Paulo e de nossa escola.

 

ARLINDO CRUZ - A minha história no samba, aqui em São Paulo, tem muito a ver com a "Rua do Samba", com os pagodes do "São Paulo Chic", "Botequim do Camisa", as Festas que o nosso querido Comandante Tobias fazia. O fundo de Quintal passou a vir muito para São Paulo, nesta época do auge, principalmente da "Rua do Samba", eu me lembro de cantarmos para mais de 15.000 pessoas. Olhávamos para Rua, em frente, e via gente pra caramba, do lado, gente pra caramba, e do outro lado, também gente pra caramba, um sucesso tremendo. O Camisa, na época, estava no devido lugar dele, no grupo especial, uma escola bastante respeitada, uma época de ouro da Camisa Verde, que nós presenciamos com muito carinho. Lembro de um ano que o pessoal do rio veio disputar aqui, Beto Sem Braço, Mauro Diniz, lembro de ver o Alemão começando, ganhando o samba da cerveja, depois, ele ganhou mais dois sambas. O Alemão é meu compadre, aqui em São Paulo, um parceiro que eu estou sempre junto, inclusive estou dando este depoimento da casa dele. É isso que eu tenho para falar. Um grande abraço a todos que são Camisa Verde! Boa Sorte nesta nova arrancada! Eu passei na porta, e nem reconheci a quadra, está toda bonita, pintaram de verde e branco e fizeram umas obras, um bom começo, pois já estão cuidando do patrimônio maior que é a nossa quadra. Daí em diante, é só alegria, contar com Arlindo Cruz sempre que a diretoria precisar, a gente vai estar sempre com o coração aberto, respeitando esta Agremiação que fez e faz muito pelo carnaval de São Paulo e com certeza tem que voltar ao lugar dela que é o grupo especial. O Camisa é uma das forças do carnaval ao lado da Vai-Vai, ao lado da Nenê e do Mocidade Alegre.

 

COGUMELO - Foi em meados de 1986 que, na quadra da Camisa Verde e Branco, nasceu à idéia de reunir uma rapaziada para tocar e fazer samba. "Minha família sempre foi ligada ao samba e meu padrinho o Tobias, sempre me incentivava a formar um grupo", conta Cogumelo.

 

Um dia, pintou a oportunidade de reunir a rapaziada para animar as tardes do ''Botequim do Camisa'' e foi aí que tudo começou. A rapaziada começou a tocar na noite de São Paulo, no Sambary Love, Projeto Radial, Refinaria e Barracão do Zinco, mas ainda não tinha pensado em um nome para o grupo. Uma vez, no final de uma apresentação, perguntaram o nome do grupo. "Saiu de estalo. SENSAÇÃO. Ficou legal, e pegou", conta Cogumelo. O sucesso estourou com a música ''Pé no Chão'', que logo foi parar nos primeiros lugares das rádios. "Daí ninguém mais segurou'', conta Cogumelo.